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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As leituras e o amor podem prejudicar a sua saúde


Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. 
- Carpinejar

O perigo do amor é virar amizade; o perigo do sexo é que você pode se apaixonar.
- Jabor

Eu ando lendo muito Capinejar. Adoro crônicas, sou fã declarada de Jabor, me transporto na forma que ele se expressa e de como fala leve sobre o amor.
Tamanha sutileza que me dá devaneios. Vou para longe quando leio e me sinto envolvida no enredo, passo de leitora para personagem principal, me encaixando em qualquer fenda que eu caiba, que eu possa desenhar eu e você no roteiro descrito por Fabrício ou Arnaldo... Não sei se isso me faz bem.
Estou passando por momentos difíceis, não consigo organizar minha cabeça e isso proporciona diversos flashes de tristeza que não parecem ser meus. Tudo está tão confuso, como diz a menininha: "Diz que ela precisa colocar a cabeça no lugar!" - Eu tento, menininha, eu tento.
Ao mesmo tempo a sensação de saber já tudo o que preciso se perde entre os relatos amorosos que sempre dão errado, que não duram o pra sempre prometido, que fazem Arnaldo e Fabrício rechearem folhas e mais folhas de livros que preenchem minha pratilheira que nunca ficou pronta.
Me sinto maçã podre que infecta todo o resto.
Tão deslocada do mundo real, não me sinto parte desse plano, acho que está tudo tão na cara e ao mesmo tempo tão distante, abstrato, irreal, inatingível... Não sei o que me prende, o que me faz querer colocar pra fora. Quero vomitar tudo e começar um novo dia de estômago vazio.
Até quando vou parafraseá-los numa infinita forma de amor que eu nem sei se existe? Estou deprimida, no estado terminal dessa doença dos anos 2000. Pareço que voltei no tempo e não sei pra onde ir, prefiro evitar o assunto e ocupar a cabeça com os incríveis formadores de opinião das aulas de segunda-feira. 
Eu não sei mais do que eu tô falando. Não sei se deveria ter dito algo, não sei se sinto demais ou me falta coragem pra sentir.





quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não ultrapasse a faixa


Continuo me policiando. De um lado pro outro, revirando na cama enquanto ouço aquela música em pensamento. Me vêem as lembranças e eu as devoro, rasgo-as com tanta força que pareço um animal selvagem. Sorrio, sinto o mesmo calor no pescoço e frio na barriga. Lembro do seu olhar, da expressão de timidez e do meu sorriso de lado, com a garganta engasgada de palavras pra te dizer, mas engulo todas. Não preciso falar nada, você já me entendeu.
Adormeço. 
Sonho e durmo.
Tudo o que eu penso é que preciso ter cautela. 
Não quero tropeçar nas próprias pernas outra vez. 
Essa sensação de felicidade chega a me assustar, agora eu que digo: Não estou acostumada!
Você parece que sabe onde me tocar e o que falar. E eu sempre tão atrapalhada. Me sinto como num sonho, mas sei que agora é hora de realiza-los. Devagar e sempre, o lema é esse.
A verdade é que eu não espero nada de você. Não imagino nem desejo nada de nós.
Eu anseio pelo agora, por aquele momento em que você estará aqui, em torno de mim, em silêncio.
Seja como a pessoa que sempre foi, ou como àquele alguém que ainda não é.
Tenho pressa de hoje.
Você é o mesmo. De todas as suas variadas formas.

Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar porque
Quero mergulhar mais fundo

Só de me encontrar no seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
E posso te enxergar no escuro

Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem...

 

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